Introdução: de acordo com o Inquérito Nacional de Saúde (1998-1999: 334), 21,8% dos inquiridos que fumam actualmente referem ter iniciado esse hábito antes dos 15 anos de idade e 72,1% entre os 15 e os 24 anos. Nestas idades os professores têm reconhecidamente um papel muito importante para os alunos, quer numa situação formal de ensino--aprendizagem, quer numa situação informal de convívio e lazer. Torna-se, assim, necessário conhecer os comportamentos face ao tabagismo dos professores dos 2.o e 3.o ciclos do ensino básico, quer no sentido de o poder prevenir ou, pelo contrário, o poder induzir nos jovens. Importa também saber se os alunos são fumadores passivos, ou seja, se se encontram expostos à poluição tabágica ambiental.
Participantes e métodos: os inquiridos são 280 professores (20,9% do total) dos 2.o e 3.o ciclos do ensino básico da cidade do Porto.
Resultados: verificou-se que 25,7% dos inquiridos são fumadores, 21,4% afirmam ser permitido fumar nos bares/cantinas da escola, em contraste com a lei de prevenção tabágica (LPT), e 33,3% dos fumadores fumam nestes locais. Apenas 30% dos fumadores respeitam a LPT. A abordagem e a dinamização da problemática do tabagismo, embora atravessem todos os grupos disciplinares, é nos grupos das ciências naturais e educação física que mais se destacam (34,2% e 45%, respectivamente, versus 26,4% do global).
Conclusões: o presente estudo reafirma a necessidade de formação e orientação para a prevenção do tabagismo entre os agentes com responsabilidades formativas, divulgação da LPT e fiscalização da mesma.